Na terça-feira passada (27/09/2011), meu digníssimo namorido convidou-me para assistir a uma peça no teatro Estação Gasômetro: “Bartleby” estrelada pelo Núcleo Caixa Preta (São Paulo). A verdade é que eu nunca me senti tão agoniada e inquieta como aconteceu com esta encenação, tudo porque Bartleby é a criatura mais esquisita que já vi.
A peça é baseada em um livro do autor Herman Melville, que conta a história de um renomado advogado do século XIX o qual contrata mais um escrivão para seu escritório, o tal Bartleby, muito competente e quieto. Até que um dia, o advogado pede a Bartleby para revisar um documento, e ele simplesmente responde “Prefiro não”.
É a primeira das várias recusas de Bartleby. Para a consternação do advogado Bartleby executa cada vez menos suas tarefas no escritório, até o ponto de “preferir” não fazer nada. O advogado tenta por diversas vezes entender Bartleby, mas o jovem repete sempre a mesma frase quando é requisitado a fazer suas tarefas ou dar informações a seu respeito: “Prefiro não”.
O mais intrigante é que ora o advogado é tomado por um ódio mortal, ora se comove, por algum motivo, o qual não sei dizer, com o seu empregado. Para mim, Bartleby é um homem solitário, e como disse o Luã, um homem desencantado com o mundo, numa análise Webberiana.
Vale a pena ver, nem que seja para se debater na cadeira com tanta passividade do Bartleby, ou para gargalhar com as crises de raiva do advogado.